segunda-feira, 31 de maio de 2010

QUE O DIA MUNDIAL DA CRIANÇA NÃO SE ESGOTE AMANHÃ!


OS DIREITOS DAS CRIANÇAS

Em 20 de Novembro de 1989, as Nações Unidas adoptaram por unanimidade a Convenção sobre os Direitos da Criança (CDC), documento que enuncia um amplo conjunto de direitos fundamentais – os direitos civis e políticos, e também os direitos económicos, sociais e culturais – de todas as crianças, bem como as respectivas disposições para que sejam aplicados.·
A CDC não é apenas uma declaração de princípios gerais; quando ratificada, representa um vínculo jurídico para os Estados que a ela aderem, os quais devem adequar as normas de Direito interno às da Convenção, para a promoção e protecção eficaz dos direitos e Liberdades nela consagrados.

Este tratado internacional é um importante instrumento legal devido ao seu carácter universal e também pelo facto de ter sido ratificado pela quase totalidade dos Estados do mundo (192). Apenas dois países, os Estados Unidos da América e a Somália, ainda não ratificaram a Convenção sobre os Direitos da Criança.

Portugal ratificou a Convenção em 21 de Setembro de 1990.

A Convenção assenta em quatro pilares fundamentais que estão relacionados com todos os outros direitos das crianças:

• a não discriminação, que significa que todas as crianças têm o direito de desenvolver todo o seu potencial, em todas as circunstâncias, em qualquer momento, em qualquer parte do mundo.

• o interesse superior da criança deve ser uma consideração prioritária em todas as acções e decisões que lhe digam respeito.

• a sobrevivência e desenvolvimento sublinham a importância vital da garantia de acesso a serviços básicos e à igualdade de oportunidades para que as crianças possam desenvolver-se plenamente.

• a opinião da criança que significa que a voz das crianças deve ser ouvida e tida em conta em todos os assuntos que se relacionem com os seus direitos.

A Convenção contém 54 artigos, que podem ser divididos em quatro categorias de direitos:

• os direitos à sobrevivência (ex. o direito a cuidados adequados)
• os direitos relativos ao desenvolvimento
(ex. o direito à educação)
• os direitos relativos à protecção
(ex. o direito de ser protegida contra a exploração)
• os direitos de participação
(ex. o direito de exprimir a sua própria opinião)

http://www.unicef.pt/artigo.php?mid=18101111&m=2

sexta-feira, 28 de maio de 2010

ESTARÁ A ESCOLA DISPONÍVEL PARA COLABORAR? CERTAMENTE! ESTARÁ O GOVERNO ATENTO? DUVIDO!


 "Três quartos dos conflitos mundiais, hoje em dia, têm uma componente cultural", afirmou Ban Ki-moon na cerimónia de abertura do III Fórum da Aliança de Civilizações, que acontece até amanhã no Rio de Janeiro e onde participa o Primeiro-Ministro José Sócrates.
Segundo o secretário-geral da ONU, para superar esses conflitos é necessário construir sociedades inclusivas e comunidades que vivam com respeito mútuo e confiança.
Ban Ki-moon acrescentou, ainda, que a construção dessas sociedades, assim como qualquer processo de paz, exige a participação das comunidades no processo e grandes esforços em matéria de educação.
O papel da Aliança de Civilizações é precisamente incentivar a aproximação entre culturas e religiões por meio da educação e de trabalho com os jovens, para que deixem de ser vítimas dos radicalismos e se tornem actores da inclusão.
Este texto foi retirado (com adaptações) da Imprensa brasileira e surge agora porque amanhã - 29 de Maio -  se comemora o Dia das Forças de Manutenção da Paz das Nações Unidas



quarta-feira, 26 de maio de 2010

DIA MUNDIAL DA ESCLEROSE MÚLTIPLA


Numa iniciativa da Federação Internacional da Esclerose Múltipla (MSIF), este dia vai ser comemorado em 55 países.
Em Portugal, a SPEM - Sociedade Portuguesa da Esclerose Múltipla, filiada da MSIF, assinala este dia com diversas actividades que poderá ver em:
http://www.spem.org/

ESCLEROSE MÚLTIPLA , O QUE É ?

DIA MUNDIAL DA ESCLEROSE MÚLTIPLA - REABILITAÇÃO I


Criado pela Enf. Alda Melo do Serviço de Neurologia 3 dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC)

DIA MUNDIAL DA ESCLEROSE MÚLTIPLA - REABILITAÇÃO II


Criado pela Enf. Alda Melo do Serviço de Neurologia 3 dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC),

DIA MUNDIAL DA ESCLEROSE MÚLTIPLA - REABILITAÇÃO III


Criado pela Enf. Alda Melo do Serviço de Neurologia 3 dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC)

segunda-feira, 24 de maio de 2010

HOMO SUM ET NIHIL HUMANI A ME ALIENUM PUTO

("SOU HOMEM E TUDO O QUE É HUMANO ME DIZ RESPEITO." TERÊNCIO)

terça-feira, 18 de maio de 2010

PEDAGOGIA DA INTERDEPENDÊNCIA - JOHN MCGEE


Nasceu na Holanda. Começou por estudar Filosofia, depois Psicologia e Educação. Nos anos 60, mudou-se para o nordeste brasileiro para trabalhar com crianças de rua e prostitutas, onde também aprendeu a falar português. Foi aí que percebeu que a institucionalização não era a solução para pessoas vulneráveis ou marginalizadas e que só o amor e a criação de laços poderiam fazer alguma diferença. Assim nasceu a pedagogia da interdependência. De regresso aos EUA, seguiu-se a direcção de programas para pessoas com deficiência mental no âmbito da sua actividade como professor nas universidades de Creighton e do Nebraska, até aos anos 90. Desde então, tem trabalhado com pais, educadores e líderes de organizações, um pouco por todo o mundo, no aprofundamento e difusão do gentle teaching.

Um olhar diferente sobre a pedagogia … AMOR e SEGURANÇA!


Li esta entrevista e gostei de partilhar convosco! Todos nos deparamos, no nosso dia-a-dia, com alunos com problemas emocionais e comportamentais … Qual a melhor metodologia? As respostas são inúmeras... Mas qual a mais eficaz?
 
Conversa com o pedagogo holandês (John McGee) que criou o conceito de pedagogia da interdependência num doce português do Brasil. (Revista “Pais e Filhos”, Abril de 2009.)

O que é o gentle teaching?

É uma forma de ajudar pessoas, especialmente crianças com problemas, como deficiência mental, autismo, paralisia cerebral ou crianças de rua e crianças agressivas. O objectivo é ensiná-las a sentirem-se bem e seguras junto dos professores e familiares. Muitas são amadas, mas não se sentem amadas. O essencial é dar-lhes segurança e amor.

Mas destina-se especialmente a crianças com algum tipo de problemas ou todas as crianças deveriam ser educadas seguindo o gentle teaching?

Deveria ser a atitude normal. Só que hoje em dia muitas famílias perderam este sentimento, de garantir que as suas crianças se sintam seguras e amadas. Concentram-se mais nas coisas materiais e nas actividades, mas o centro do desenvolvimento humano são os sentimentos de segurança e de amor.

E é a falta desses sentimentos que pode estar na origem de problemas de comportamento das crianças?

Sim. Como acontece com aquelas crianças ‘normais’, que não têm problema nenhum diagnosticável, mas que são muito ‘chatas’.

Se dissermos aos pais que o problema de uma criança com mau comportamento é falta de amor, eles podem ficar ofendidos.

Sim. E eu explico: os pais podem dar muito amor e a criança sentir que não é amada. Aos pais de uma criança assim, eu diria: «Eu sei que ama o seu filho. Esse não é o problema. Mas o seu filho, por alguma razão, não se sente amado». Pode existir um problema por trás: alguém estar a abusar da criança, o divórcio dos pais ou outra insegurança. Mesmo que alguém me dê todo o amor do mundo, se eu não me sentir amado, para mim esse amor não existe.

E como é que se faz uma criança sentir amada?

Temos quatro ferramentas: a nossa presença, as nossas mãos, os nossos olhos e as nossas palavras. Estar presente. Dar muitos abraços. Em vez de dizer «tens de ser melhor na escola», dizer «és tão bom». Mesmo que, na verdade, a criança possa fazer melhor na escola, não serão essas as palavras que a farão sentir bem. É preciso dar esperança. Olhar nos olhos, com amor, e dizer «gosto tanto de ti, és tão bom». E tem de se fazer isto exageradamente, até a criança se sentir verdadeiramente amada. Talvez para a maior parte das crianças do mundo é suficiente dar demonstrações de amor uma vez ou outra, dar um beijo de vez em quando, mas, para outras crianças, é preciso exagerar.

Quando as crianças têm problemas de comportamento, os pais, geralmente, preocupam-se mais em ensinar-lhes regras e disciplina…

Os pais querem muitas regras e muitas coisas funcionais. As crianças sabem jogar jogos de vídeo, mas não sabem o que é um abraço do pai. As prioridades estão erradas. Se eu compro um brinquedo de cem euros para uma criança e não lhe dou um abraço, estou a falhar com algo muito importante.

Acha que a infância está a mudar?

Acho que a ideia de criança deixou de existir. Os pais querem um pequeno adulto. Passam o tempo a exigir coisas a crianças com três e quatro anos: «tu sabes melhor», «senta-te», «pára quieto». E isso é muito triste.

O gentle teaching beneficia tanto uma criança normal como, por exemplo, uma criança autista?

Sim. Cada uma tem os seus problemas. Uma por natureza, outra pelas experiências que viveu. Não se pode dizer que o gentle teaching é bom para esta ou para aquela criança. É absolutamente necessário! Podemos ter 20 mil pessoas a amar-nos, mas se não nos sentimos amados, a vida é um pesadelo.

Como é que se transporta o gentle teaching para a escola?

Não acho que seja uma abordagem tão difícil ou inovadora que os professores precisem de formação. É senso comum. Se sou professor e tenho um aluno que é marginalizado, sei que vou ter de passar mais tempo com ele, sem criticar, sem dizer «tu sabes melhor», «estás a manipular-me» e esse tipo de coisas. Tem de se encorajar a criança e motivá-la para fazer bem. Não leva assim muito tempo, mas é preciso dar mais atenção a essa criança.

Lembro-me de, quando estava no terceiro ano da escola, uma professora me dizer «você não tem valor». Já passaram todos estes anos e eu ainda me lembro destas palavras. O contrário também acontece. Lembro-me de outro professor me dizer que eu era um rapaz bom. Não leva muito tempo a construir, nem a desconstruir, a imagem que temos de nós. Mas é preciso algum tempo.

O método de ensino dos castigos e das recompensas já está ultrapassado?

No mundo industrializado, tem-se adoptado o método dos castigos e das recompensas para modificar o comportamento de crianças. Há mais de 40 anos que vejo esse método. Acho que pode ser benéfico para algumas crianças e não para outras. O que eu sei que funciona com todas as crianças é o amor. Se uma criança tem um problema na escola e eu digo «dou-te um lápis se fizeres estas 10 coisas», ela vai acabar por falhar na mesma. E se, em seguida, eu critico, dizendo «tu sabes fazer melhor», só estou a marginalizar ainda mais essa criança. A atitude deve ser precisamente a contrária: fazer-lhe uma festa na cabeça e dizer «és muito inteligente». Incluindo se a criança não está a fazer nada bem. Elas têm de saber que, como pessoas, são boas. Não vejo qual o valor das recompensas ou dos castigos neste aspecto.

Como é que se usa o gentle teaching no dia-a-dia?

Quando iniciei o gentle teaching, usava-o como uma técnica, agora o objectivo é torná-lo uma cultura. Não posso tratar uma pessoa com amor e gritar com quem está ao lado. Isso seria uma confusão.

O termo português para gentle teaching é pedagogia da interdependência. Por que é que não traduziu à letra, que seria algo como ‘ensino suave’?

A expressão original é gentle teaching, porque foi criada nos EUA. Mas eu gosto mais do nome pedagogia da interdependência. É mais descritivo. Mas este ano devo publicar um livro em inglês com o nome de pedagogia da interdependência e espero pôr um ponto final nesta questão do nome. Embora ache que nos EUA vão dizer sempre gentle teaching, pois já é uma marca. Nos outros países vou tentar mudar.



O QUE NÃO FAZER, SEGUNDO A PEDAGOGIA DA INTERDEPENDÊNCIA

• Ter pensamentos negativos, tais como:

Ele sabe bem o que faz

Ele apenas quer atenção

Ele é manipulador

• Ter atitudes, como:

Gritar

Tomar a atitude de capataz

Agarrar

Apressar

Centrar-se no cumprimento das normas

Brincar ou ter expressões de amor ridicularizantes e inapropriadas para a idade

Usar os cuidadores como guardas

O QUE FAZER, SEGUNDO A PEDAGOGIA DA INTERDEPENDÊNCIA

• Estar presente

• Usar as mãos (o contacto físico) com suavidade e leveza

• Olhar de forma calorosa e carinhosa

• Usar as palavras com serenidade e de forma reconfortante

• Ser tranquilizador

• Mover-se devagar

• Reduzir qualquer sentido de exigência

• Encorajar e dar confiança

In «O essencial da pedagogia da interdependência»

A QUEM POSSA INTERESSAR








Programa  Aladim

P: Qual o objectivo do Programa Aladim e que entidades se podem candidatar ao seu apoio?

R: O Programa Aladim tem como objectivo oferecer soluções RDIS e uma solução de ADSL com condições mais acessíveis em termos de custos. Poderão candidatar-se a este apoio os Clientes com Necessidades Especiais, as respectivas associações, instituições particulares e públicas de apoio a deficientes (sem fins lucrativos); escolas com projectos de integração de estudantes deficientes, com aplicação exclusiva para a sua integração; escolas de ensino especial; institutos de formação profissional para deficientes; e organismos públicos para projectos de integração de pessoas com deficiência, envolvendo directamente estas pessoas.

P: Qual a validade das condições do programa Aladim?
R: A duração é ilimitada a partir de 1 de Janeiro de 1998, desde que se mantenham as condições segundo as quais este apoio foi concedido.

P: Quais os serviços abrangidos pelo Programa Aladim e em que condições posso adaptar-me a este programa?

R: O Programa Aladim é indicado apenas para linhas RDIS e também para a presente campanha ADSL.Aladim.
Os clientes que podem candidatar-se a este apoio são apenas os deficientes (auditivos, visuais, motores e cognitivos ou mentais). Se o cliente estiver nestas condições deverá apresentar como comprovativo a certidão referida anteriormente ou um cartão de sócio efectivo de uma associação de deficientes.

P: Quais as principais condições de apoio do Aladim?
 
R: Para serviços RDIS, são as seguintes:
Isenção do pagamento da instalação de acesso à RDIS;
Isenção do pagamento da Taxa de Migração da Linha de rede analógica para acesso básico RDIS;
Isenção do Pagamento da Taxa de Migração de duas ou mais linhas de rede para acesso básico RDIS;
Redução de 50% da assinatura mensal;
Venda com desconto até 50% dependente da solução RDIS definida de acordo com a necessidade específica do Cliente, podendo esta sofrer ampliações ou melhorias; ou
Preço de venda ao público, com a possibilidade de financiamento para pagamento em prestações (com isenção de juros) por um período máximo de 12 meses, não podendo as prestações ser inferiores a €24,94.

P: Se tiver uma linha de rede analógica e quiser emigrar para RDIS, pago algum valor pela migração?
 
R: Não, ao abrigo do Programa Aladim, essa migração é gratuita. No entanto, se pretende por alguma razão migrar de RDIS para uma linha analógica, essa migração já é paga.  Se tiver acesso RDIS para a internet, é possível passar esse acesso a ADSL, mas será necessário um outro equipamento específico para o acesso.

P: Quais as condições da actual campanha de ADSL?
 
R:  De acordo com esta campanha os clientes deficientes têm direito durante 12 meses a uma redução de 50 % de redução na mensalidade de ADSL, sendo a activação gratuito e o kit ADSL.

P: Posso aliar à campanha de ADSL, as condições da outra campanha da PT Comunicações, nomeadamente recebendo o kit ADSL gratuito?
 
R: Trata-se de campanhas diferentes, as quais não podem ser acumuláveis. Essa campanha a que se refere obriga-o a uma permanência com contrato ADSL por 12 meses com a mensalidade normal e tem de pagar a activação.


Mais informação em: http://www.pcd.pt/ptcom/faq.php

terça-feira, 11 de maio de 2010

quinta-feira, 6 de maio de 2010

OUÇAMOS QUEM NÃO PODE FALAR! E DIZ TANTO...


(Gratos ao Autor)

domingo, 2 de maio de 2010

OBRIGADO, TORGA! TIRASTE-NOS AS PALAVRAS DA BOCA!

Mãe:
Que desgraça na vida aconteceu,
Que ficaste insensível e gelada?
Que todo o teu perfil se endureceu
Numa linha severa e desenhada?

Como as estátuas, que são gente nossa
Cansada de palavras e ternura,
Assim tu me pareces no teu leito.
Presença cinzelada em pedra dura,
Que não tem coração dentro do peito.

Chamo aos gritos por ti — não me respondes.
Beijo-te as mãos e o rosto — sinto frio.
Ou és outra, ou me enganas, ou te escondes
Por detrás do terror deste vazio.

Mãe:
Abre os olhos ao menos, diz que sim!
Diz que me vês ainda, que me queres.
Que és a eterna mulher entre as mulheres.
Que nem a morte te afastou de mim!

Miguel Torga, in 'Diário IV'

ESTE APONTAMENTO FICA ACESSÍVEL A TODOS? NÃO. TAL COMO O MUNDO!

PODE HAVER MELHOR, MAS CONCORDO COM ESTA DEFINIÇÃO

quarta-feira, 28 de abril de 2010

PODE HAVER MELHOR, MAS GOSTO DESTA DEFINIÇÃO


DEMOCRACIA É GARANTIR A TODOS O MESMO PONTO DE PARTIDA.
QUANTO AO PONTO DE CHEGADA, DEPENDE DE CADA UM.
                                                                  (Fernando Sabino)

segunda-feira, 26 de abril de 2010

AQUÉM-ATLÂNTICO TAMBÉM TEMOS DESTES BONS EXEMPLOS?


Conhece casos de Inclusão em Serviços Oficiais? Contacte-nos. Dar-lhes-emos a merecida visibilidade!



terça-feira, 20 de abril de 2010

OUÇAMOS ESTE APELO!

domingo, 18 de abril de 2010

OUÇAMOS QUEM SABE ... MUDEMOS O QUE HÁ QUE MUDAR!


Método educacional deve prevalecer sobre o clínico
Quando se torna necessário conhecer quais são os alunos que podem beneficiar de serviços de educação especial, levanta-se a questão dos critérios de eligibilidade. Não se trata de uma questão fácil de resolver, mas o que acreditamos é que ela tem que ser resolvida no âmbito educacional e não no âmbito clínico. Identificar uma deficiência não me diz praticamente nada sobre quais as necessidades educativas especiais que essa pessoa pode apresentar. É preciso desenvolver um processo de identificação que valorize as NEE e não os critérios clínicos da deficiência. Isso já foi feito em muitos países e nós temos meios e recursos para aprofundar esta perspectiva.
David Rodrigues (2007)

quinta-feira, 25 de março de 2010

O PROMETIDO É DEVIDO!

O Autismo, embora possa ser visto como uma condição médica, também deve ser encarado como um modo de ser completo, uma forma de identidade profundamente diferente..." Oliver Sacks

Tal como prometido, um Técnico, que trabalha com crianças e jovens portadores de Necessidades Educativas Especiais, aqui está a falar-nos da história escolar de um familiar que apresenta um quadro de Perturbações no Espectro do Autismo (PEA).

Conhecimento Técnico e Afectividade deram as mãos para enriquecer este Blogue.

SÍNDROME DE ASPERGER - UM TESTEMUNHO



O Filipe é uma criança de 11 anos que anda no 7º ano. Isola-se dos colegas, demonstra pouco interesse pelas aprendizagens e não estuda nem faz os trabalhos de casa. No entanto, não tem más notas, muito pelo contrário.
Quando está na escola, fala apenas com os professores e com os técnicos auxiliares de acção educativa, que o acham um menino muito bem comportadinho. Sempre que os professores passam por ele nos corredores da escola, vêem-no sempre sentado no chão, sozinho, a ler livros de banda desenhada e de temas científicos e a ouvir música com um Walkman. Nunca passa os intervalos com os colegas e os professores verificam muitas vezes que aqueles o gozam e o arreliam. O Filipe ignora-os.
Desde que o Filipe entrou para o infantário que os professores se queixavam que era uma criança muito sozinha e que se interessava por coisas de que as outras crianças da sua idade não gostavam. Todos acharam que ele era sobredotado. O Filipe aprendeu a ler, a formar palavras correctamente com letras de plástico e a fazer contas com 2 anos, sem que fosse ensinado. Tinha, era, muitos de livros em casa e via todos os dias a “Rua Sésamo”. A mãe sempre lhe leu histórias e, às vezes, o Filipe folheava os livros e contava em voz alta as histórias. O que ele dizia era exactamente o que estava escrito!
Tentaram colocar o Filipe numa escola onde o pudessem acompanhar e desenvolver as suas capacidades. Começou então a frequentar o primeiro ano numa escola privada para aprender a escrever e, no final do ano, transitou para o terceiro ano de escolaridade. O Filipe só falava com os adultos, em conversas muito avançadas para a idade. Os colegas gozavam-no e ele isolava-se.
A mãe admitiu que nunca o via a estudar e que ele era um pouco lento e ocioso em casa. Os únicos interesses dele, actualmente, eram os computadores e o “Magic” e, com isso, aborrecia toda a gente porque só falava dos seus interesses, mesmo quando os outros lhe pediam para parar. O Filipe foi passando por diferentes fases de interesses, desde os dinossauros, sismos e tsunamis, até à cultura japonesa.
Não comia qualquer que fosse o vegetal ou fruta. Por vezes, obrigado, comia sopa passada. Demora muito tempo a comer porque escolhe a comida dentro do prato: cebola, alho, ervas aromáticas ou pequenos legumes. Quando tinha 7 anos, o Filipe deixou totalmente de comer mousse de chocolate, da qual gostava muito, porque o pai lhe disse que era feita com cenouras e ervilhas.
É a mãe que, todos os dias, prepara o pequeno-almoço ao filho, lhe escolhe a roupa e o calçado que ele deve usar nesse dia, apertando-lhe inclusivamente os cordões e, se ela não lhe der indicações para a rotina de higiene, ele não as leva a cabo, como tomar banho, lavar os dentes, pentear, etc., dizendo mesmo que não se importa nada em andar sujo ou mal vestido, já que não é por isto que quer que as pessoas gostem dele.
Tinha sempre uma enorme quantidade de tiques: revirava os olhos, abria as mãos, abria a boca, torcia o nariz, etc. Estava sempre a coçar as pernas com os pés.
O Filipe tinha algumas manias, as quais já estavam a incomodar toda a gente em casa: não consegue deitar nada ao lixo (ex. papéis de rebuçados, papéis rasgados, etc) e coloca-os sempre nas gavetas da mesa de cabeceira, não deixa que ninguém lhes mexa nem deitar ao lixo. Sempre pôs os peluches a ver televisão e a jogar consola para se sentir acompanhado, sem que isso reflectisse jogo simbólico; não suportava que lhe tirassem um peluche ou outro brinquedo por estar velho ou estragado. Guardava tudo numa caixa e não se podia deitar nada fora ou dar a ninguém.
Para além disso, desde há cerca de um ano, quase todas as noites chorava a dizer que não queria crescer, porque não queria que a mãe e o pai morressem e tinha medo de dormir sozinho. Dorme sempre com 4 ou 5 peluches na cama. Também exige que a mãe lhe leia uma história à noite, de um livro que ele tem desde os 6 anos.
Tinha medo de ir à casa de banho sozinho e alguém tinha que ir com ele e ficar à porta a olhar para ele. Para tomar banho, também alguém tinha de ficar na casa de banho; e depois começou a levar a gata.
A posição que tomava face ao seu isolamento, era de indiferença. Encolhia os ombros e dizia que eles não lhe interessavam; falava bem com as pessoas, mas quando elas lhe faziam alguma coisa, deixava de lhes ligar. Só gosta da sua gata e costuma dizer que os animais é que deviam ser pessoas, porque, quanto mais conhece as pessoas menos gosta delas.
Todos os que andámos na escola nos lembramos de um rapaz, geralmente um rapaz, sozinho. Nunca se juntava aos grupos de jovens que proliferavam pelos pátios e corredores da escola. Habitualmente sozinho, ou conversando com algum aluno mais novo ou um adulto sobre um tema muito específico, levava para a escola livros que os outros consideravam “anormais” e passava os intervalos sentado no chão do corredor a lê-los ou a passear no pátio, junto às paredes, com os livros debaixo do braço. Quando lhe dirigiam a palavra, era frequentemente arrogante ou simplesmente não respondia, encolhia os ombros e afastava-se, deixando o seu interlocutor sozinho. E era alvo dos sorrisos, das piadas e da indiferença dos outros. Nunca ninguém o conheceu verdadeiramente, nem os professores. Apesar de tudo, era visto por eles como um adolescente cumpridor, com um comportamento exemplar, mas preguiçoso e com uma péssima caligrafia.

quinta-feira, 18 de março de 2010

HAVERÁ TERCEIRA META?


 
A principal meta da educação é criar homens que sejam capazes de fazer coisas novas, não simplesmente repetir o que outras gerações já fizeram. Homens que sejam criadores, inventores, descobridores. 

 
A segunda meta da educação é formar mentes que estejam em condições de criticar, de verificar e não aceitar tudo o que a elas é proposto." 


Enuncie-nos a sua terceira meta?




quarta-feira, 17 de março de 2010

SUGESTÃO DE LEITURA III

Autor: Paolo Giordano


Título: A solidão dos números primos

Título original: La Solitudine dei Numeri Primi


Editora: Bertrand Editora



Uma educação parental egocêntrica e, obviamente, desajustada contribui, decisivamente, para a deficiência motora que Alice agora apresenta.
Um erro trágico – criou condições para o desaparecimento da sua irmã gémea deficiente – moldou a personalidade de Mattia.
“Estes dois episódios irreversíveis deixarão a sua marca para sempre” nestes dois jovens – um excluído do Mundo, outro que excluiu o Mundo. Este romance também deixará a marca em cada um dos seus leitores.
Nesta Obra, Paolo Giordano, italiano, 28 anos de idade, aborda a problemática da adolescência, o bullying, a discriminação dos deficientes e dos diferentes, a culpa … enfim, a vida tal como ela é.
Original e brilhante!
*Esta obra está disponível para empréstimo na Biblioteca Municipal de Oliveira de Frades

terça-feira, 16 de março de 2010

QUEM QUER SER MAIS OU MENOS?!


A gente pode
Morar numa casa mais ou menos
Numa rua mais ou menos,
Numa cidade mais ou menos
e até ter um governo mais ou menos.
A gente pode dormir
numa cama mais ou menos,
comer um feijão mais ou menos,
ter um transporte mais ou menos
e até ser obrigado a acreditar
mais ou menos no futuro.
A gente pode olhar em volta
e sentir que tudo está
mais ou menos.

O que a gente não pode mesmo,
nunca, de jeito nenhum,
é amar mais ou menos,
é sonhar mais ou menos,
é ser amigo mais ou menos,
é namorar mais ou menos,
é ter fé mais ou menos
e acreditar mais ou menos.

Se não a gente corre o risco
de se tornar uma pessoa
mais ou menos.



Francisco Cândido Xavier

terça-feira, 9 de março de 2010

MARÇO DE 2010 - AINDA SERÁ ASSIM?


Roupa e aparência geram discriminação na escola

Notícia publicada no DN de 29/02/2008
Um Inquérito sobre discriminação nas Escolas, abrangendo sete países da União Europeia (Alemanha, Bélgica, Espanha, Holanda, Itália, Portugal e Reino Unido), informa-nos: as diferenças físicas são o principal factor de humilhação (39%), seguindo-se as deficiências (34%), sendo que a cor da pele e a indumentária surgem em terceiro lugar, com 30%.
Relativamente a Portugal, o estudo relata:
  • Um em cada dois alunos portugueses (51%) diz que os colegas de escola são gozados pela roupa que usam e 36% por diferenças na aparência física, como o peso, segundo o estudo conduzido pelo British Council;
  • A cor da pele e a diferença de sotaque são motivo de gozo para 31% dos inquiridos em Portugal, a par da deficiência;
·    A existência de um problema de comportamentos intimidatórios entre colegas (bullying) na escola é reconhecida por 35% dos estudantes portugueses, exactamente a mesma percentagem dos que respondem negativamente
·    A raça surge em Portugal como motivo de gozo para 28% dos inquiridos.

segunda-feira, 8 de março de 2010

SOCIEDADE INCLUSIVA?! QUAL?!... A NOSSA?!!

 

"É difícil integrar uma população particular numa sociedade, pois a partir de uma certa percentagem de indivíduos diferentes, a população de origem teme perder a sua identidade"
 (Vayer e Roncin, 1972) 



 1. Pense nesta afirmação.

2. Veja o filme "District 9.

3. Partilhe connosco as suas conclusões.

RESPIRAMOS INCLUSÃO?


1.    Ouçamos o que, desta sua obra, diz Saramago
"Este é um livro francamente terrível com o qual eu quero que o leitor sofra tanto como eu sofri ao escrevê-lo. Nele se descreve uma longa tortura. É um livro brutal e violento e é simultaneamente uma das experiências mais dolorosas da minha vida. São 300 páginas de constante aflição. Através da escrita, tentei dizer que não somos bons e que é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso."
     2.    Leiamos a Obra 
Nós podemos cedê-la, a título de empréstimo.
3.    Reflictamos sobre Discriminação
Aqui esperamos pelos vossos contributos.

terça-feira, 2 de março de 2010

AS DIVERSAS INTELIGÊNCIAS


Aristóteles afirmava que os seres humanos possuem várias almas, tendo cada uma a sua função específica.

Também sabemos que a natureza principal da inteligência tem a ver com hereditariedade, meio ou ambiente.
Os estudos actuais apontam vantagem para as raparigas nos testes verbais, enquanto os rapazes obtêm melhores resultados nos testes numéricos espaciais.
Em meu entender, já muita coisa está a mudar, os indivíduos diferem quanto às capacidades, os testes de aptidão medem as capacidades com o fim de predizer a possibilidade de pessoas adquirirem uma habilidade. Os testes de rendimento medem as capacidades em termos de habilidades já adquiridas. Outro ponto a referir é que os hábitos das pessoas estão a mudar e isso vai influenciar a sua criatividade, personalidade e rendimento.
Em Portugal, ainda estamos muito virados para a grande importância da inteligência académica, muito difícil de quebrar este tipo de mentalidade ou influências tradicionais,… esperar para ver!
A teoria das inteligências múltiplas, de Howard Gardner (1985), afirma que os seres humanos dispõem de graus variados de cada uma das inteligências e maneiras diferentes com que elas se combinam e organizam e se utilizam dessas capacidades intelectuais para resolver problemas e criar produtos.
Autistas tiveram sucesso no basquetebol nos E.U.A. e além destes exemplo existem outros.
Inteligências: linguística, musical, lógico-matemática, espacial, cinestésica, interpessoal, intrapessoal.